terça-feira, 4 de maio de 2010

Castelo



Tanto de tequila e vinho que’la bebeu
Não é mais que o turbilhão de lágrimas derramadas.
Bem mais que seu coração partido
Foi, sobretudo, as paredes destruídas
Pelo mesmo homem que outrora cruzou
Castelos impossíveis...
Para qualquer face do silêncio
Que se desvela a alguma linguagem não falada:
Como a leve corrente das águas d’um riacho,
Como uma árvore que semeia sombra a dois namorados
Como uma cigana que lê uma mão curiosa por generosidades
Como uma besta que aprende poesia depois de dois mil anos...
Afinal, para qualquer face do silêncio além da voz...


O importante é que castelos brotam no meu chão.

O canto dos presos




Troa, a alardear bárbaros sons abstrusos,
O epitalâmio da Suprema Falta,
Entoado asperamente, em voz muito alta,
Pela promiscuidade dos reclusos!


No wagnerismo desses sons confusos,
Em que o Mal se engrandece e o ódio se exalta,
Uiva, à luz de fantástica ribalta,
A ignomínia de todos os abusos!


É a prosódia do cárcere, é a partênea
Aterradoramente heterogênea
Dos grandes transviamentos subjectivos...


È a saudade dos erros satisfeitos,
Que, não cabendo mais dentro dos peitos,
Se escapa pela boca dos cativos!