domingo, 26 de abril de 2009

Ariana



Ela é o tipo perfeito da ariana,
Branca, nevada, púbere, mimosa,
A carne exuberante e capitosa
Trescala a essência que de si dimana.

As níveas pomas do candor da rosa,
Rendilhando-lhe o colo de sultana,
Emergem da camisa cetinosa
Entre as rendas sutis de filigrana.

Dorme talvez. Em flácido abandono
Lembra formosa no seu casto sono
A languidez dormente da indiana,

Enquanto o amante pálido, a seu lado
Medita, a fronte triste, o olhar velado
No Mistério da Carne Soberana

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Noturno


A noite cai sobre mim!
Beijando-me o corpo!
Saciando-se de minha solidão!
Esgotando-me as lágrimas que me caem do rosto!
 Tenebrosa solidão que me afaga o corpo nu!
Enxagüe-me com suas lanças escuras!
E devolva-me o dia!
Encha-me os olhos com seus sorrisos negros!
Polua-me o coração com seus ventos de tormento!
E suas figuras de alento!
Sombras de sepulcro dilaceradas!
 Não "gosto" de ti.
Não me faz bem tua presença.
Mística, incrédula!
A "odeio" a cada dia mais!
Por estar tão próxima de mim!
 "Odeio" seus cantos!
"Odeio" seus encantos!
Não me tortures mais,
Com seus vultos maléficos!
 Ainda que ocultes meus dias,
Eternas minhas noites!
Não me procures mais!
 Não durmo mais por ti!
Não sonho mais por ti!
 Perdido a vagar!
Em teu colo a chorar!
 Poseidom do mar das sombras!
 Ignores meus prantos!
E liberte-me das trevas do teu sorriso!
Molhe-me com as lágrimas de suas vísceras!
Ceifador de almas Noturnas!
 Enquanto choro por ti!
Tu brincas, com minhas lágrimas!
 Liberte-me do caos em que me encontro.
Pois quando a toco,
Perco-me em teu manto!
 Decepciona-me,
Enquanto sinto paixão por teu vasto mundo!
Noturna escuridão!
Liberte meu coração!
 Aqui eu me despeço!
Sem razão,
Eu já confesso!
 Mas Juro pra ti,
Que um dia minha alma serás tua,
Eterna!
 Guardarei-me em tua demência,
Em tua solidão!
Em tuas melancolias!
Em teu coração!
 Um dia sereis teu escravo!
Pra sempre!
Teu escravo noturno!

sábado, 18 de abril de 2009

O Réquiem de Mozart:




Suspiro fatídico e profundo. Bárbaro!
Um toque letal, arrebatador, tempestuoso.
Cada nota intensa, retumba no coração!
E tremula, com o funéreo clássico impacto
Do inevitável anúncio: o fim de uma vida.
O desintegrar irreversível de uma essência.
Quisera eu enterrar-me em cada timbre
Pois soam como notas da minha pauta
Que tensas, escorrem da minha clave de sol,
Levando cadáveres, cinzas e apodrecidos,
Ou serão desventuras novas e sórdidas,
Expelidas por um sentimento lúgubre?
Em cada parte bela e tétrica da música,
Um desejo vital de morte se intensifica.
Uma oração, uma prece, um pedido,
Para uma ceifa, e nunca mais se ouvir o som...
E nunca mais se ver a luz do crepúsculo...
Nada. Nenhuma melodia, além da árida e fria
Ária compacta, tocada triste com desespero.
Secam-se as lágrimas, resta o se entregar ao
Profundo e cúmulo do pensamento negro.
Gótico... Prelúdio do meu refinado enterro.
O Réquiem.


sexta-feira, 17 de abril de 2009

Eu


Você pode não ver, mas estou sempre com você
Nas noites mais sombrias caminho a seu lado, 
Vejo seu corpo nos minimos detalhes 
Posso sentir o calor do seu sangue, 
Você pode não notar, mas estou no seu pensamento, 
E quando você deita tranquila em seu leito 
Os seus sonhos posso manipular
Posso estar em outros corpos, 
Até mesmo o seu
Confundir suas ideias, distorcer sua visão
Em segundos posso leva-la ao suicídio
Posso estar em algum objeto do seu desejo
Ou ser algo ou alguém que desperta sua raiva
Posso ser a oração que você faz para fugir dos seus medos
E por mais que você tente fugir,
Eu vou ser sua companhia, seu corpo, e seu pensamento,
E  num piscar de olhos,
Posso voltar a ser um desconhecido!